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O desafio de proteger a tecnologia na multidão: do Rock in Rio ao planejamento financeiro

Grandes festivais de música, como o Rock in Rio, representam momentos marcantes de celebração e entretenimento de massa. Milhares de pessoas deslocam-se para grandes arenas ao ar livre com a intenção de vivenciar apresentações inesquecíveis de seus artistas favoritos. Contudo, em meio à euforia dos shows, há um elemento que se tornou companheiro inseparável de quase todo o público: o smartphone. Utilizado não apenas para registrar fotos e vídeos dos espetáculos, mas também como meio primário de pagamento, transporte e comunicação, o telefone celular fica constantemente exposto. Essa presença ostensiva em ambientes com altíssima densidade populacional traz à tona um debate essencial sobre a preservação física e a proteção financeira desses dispositivos eletrônicos.

O panorama da proteção e a realidade dos acidentes no Brasil

Ao contrário do que grande parte das pessoas imagina, o principal fator de danificação de aparelhos celulares em grandes eventos ou na rotina diária não é a criminalidade urbana direta, mas sim os acidentes físicos mecânicos. Dados fornecidos pelo Grupo PLL, empresa que atua no suporte pós-venda para seguradoras de dispositivos móveis, revelam que as quebras acidentais correspondem a 61% dos acionamentos de cobertura. Em contrapartida, as ocorrências de roubo e furto somam 39% dos sinistros registrados. Esses números evidenciam como a simples movimentação na Cidade do Rock, o contato involuntário com multidões ou o manuseio desatento podem gerar sérios danos aos equipamentos.

Apesar dessa evidente vulnerabilidade, a adesão a mecanismos de proteção financeira ainda engatinha no mercado brasileiro. De acordo com informações apresentadas pela Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), instituição representante das empresas atuantes no setor, cerca de 10 milhões de smartphones possuem seguro no Brasil. Esse volume expressivo representa, na verdade, apenas 4% do total de aparelhos atualmente em uso no país, revelando uma grande disparidade entre o elevado valor comercial dos equipamentos e o nível de precaução adotado por seus proprietários.

A primeira linha de defesa: prevenção prática e hábitos de manuseio

Diante dos riscos presentes em festivais de grande porte, a adoção de hábitos de prevenção física surge como a decisão mais primária e indispensável. Conforme pontua Laura Meroto, analista de Operações e Projetos da Simple2u, a prevenção é sempre a camada inicial de proteção. Embora imprevistos possam ocorrer mesmo sob vigilância constante, reduzir a exposição direta do dispositivo diminui significativamente a probabilidade de danos severos.

Para amortecer possíveis quedas e mitigar acidentes causados por chuva ou bebidas derramadas, especialistas recomendam cuidados práticos no manuseio diário e durante os shows:

  • Uso de capas e películas reforçadas: A aplicação de capas protetoras com bordas anti-impacto combinada a películas de cerâmica ou de vidro temperado reduz expressivamente o choque direto nas telas e na estrutura externa em caso de quedas.
  • Acessórios de fixação física: O emprego de alças de punho ou tiracolo oferece um suporte adicional contra quedas acidentais provocadas por esbarrões em áreas de aglomeração.
  • Armazenamento seguro no corpo: Guardar o telefone em doleiras ou pochetes posicionadas na parte frontal do tronco minimiza o risco de perdas em deslocamentos e bloqueia abordagens indevidas.
  • Manuseio consciente: Evitar operar o aparelho com as mãos molhadas ou no mesmo momento em que se segura copos de bebidas previne a infiltração de líquidos nos componentes internos.

Entendendo o alcance das apólices de seguro tradicionais e integradas

Quando as barreiras físicas não são suficientes para evitar um dano — como a quebra de uma tela durante um show —, a contratação de apólices tradicionais de seguro atua como um importante amparo financeiro para reparo ou reposição. Paulo Davidoff, diretor de Seguros Massificados e Personal Lines da Alper Seguros, detalha que, embora não exista um produto criado especificamente para festivais, o seguro tradicional de celular cobre eventos frequentes nesses espaços, tais como quedas acidentais, telas trincadas, derramamento de líquidos e casos de roubo ou furto.

Na ocorrência de um sinistro, o segurado deve acionar a empresa responsável e seguir as orientações para efetuar o conserto ou receber a indenização estipulada. Geralmente, o aparelho é encaminhado a um centro técnico credenciado, no qual é realizado o orçamento e o devido reparo do dispositivo. Esse fluxo garante que o custo inesperado de substituição de peças não recaia integralmente sobre o orçamento imediato do consumidor.

Paralelamente, a preocupação do público em grandes eventos costuma se estender a outros pertences pessoais transportados em bolsas ou mochilas, tais como óculos de sol, carteiras, documentos e chaves. Para assegurar esses itens de forma integrada em situações de roubo ou furto, o mercado oferece modalidades como o Seguro Bolsa Protegida. Marcia Silva, diretora Comercial de Canais Especiais da Tokio Marine Seguros, destaca que essa modalidade ampara as perdas ocorridas no interior da bolsa, desde que decorrentes de eventos cobertos, reduzindo o impacto financeiro em momentos de vulnerabilidade.

Contratação de última hora e exigências operacionais

É bastante comum que os frequentadores decidam adquirir uma proteção na véspera de um grande evento ou viagem. Embora a adesão a esses serviços costume ser rápida e não exija período de carência, as seguradoras aplicam critérios operacionais rígidos de validação. Para a inclusão de coberturas contra danos físicos, é exigida a realização de uma vistoria digital, feita por meio do próprio aplicativo ou câmera do dispositivo, a fim de comprovar que a tela e a estrutura externa não apresentam trincados ou avarias preexistentes.

Laura Meroto reforça que compreender essas exigências operacionais é fundamental para evitar contratempos futuros. Conhecer previamente as condições estipuladas na apólice facilita a liberação dos serviços se houver necessidade de acionamento. Do mesmo modo, Carlos Eduardo Silva, diretor de Subscrição em Parcerias da Zurich Seguros, alerta para a importância de analisar o ambiente em que o telefone será utilizado. Em grandes aglomerações, o risco de roubo e furto caminha lado a lado com a exposição do aparelho a impactos mecânicos e contato com lama ou líquidos.

Equilíbrio entre diversão e segurança financeira

Aproveitar grandes espetáculos culturais sem sobressaltos requer um planejamento que vai além da compra de ingressos. Integrar atitudes preventivas simples no dia a dia do evento com o entendimento claro sobre o funcionamento das apólices de seguro permite curtir as apresentações com tranquilidade. No fim das contas, a tecnologia existe para registrar momentos memoráveis, e a conscientização sobre seus riscos operacionais e financeiros é o melhor caminho para proteger o patrimônio e garantir a paz de espírito do público do início ao fim do show.


Fonte e referência: este artigo foi elaborado com base em informações publicadas originalmente por InfoMoney. Consulte o conteúdo original em https://www.infomoney.com.br/minhas-financas/rock-in-rio-veja-como-aproveitar-o-festival-sem-medo-de-quebrar-o-celular/.

Foto de Fernando Martinez via Pexels.

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